• Filipa Larangeira Carvalho

A nova liderança do novo paradigma.

Atualizado: Set 23



O regresso ao trabalho é tão esperado quanto temido.


Querermos voltar ao "normal" é insensato pois o "normal" estava profundamente danificado.

O "normal" não contemplava a saúde, o descanso, a família, o bem-estar, o tempo...O "normal" vivia de costas viradas para a nossa única casa, o Planeta Terra, e avançava por ela adentro, sem olhar a meios ou recursos.


"Só mais um produto. Compre, compre!" - Dizia o normal, para nos iludir. "Vai ver que vai gostar." Depois justificava-se com as dinâmicas económicas, a empregabilidade, os prémios comerciais ou a distribuição de lucros a accionistas.


O "normal" também gostava de controlar tudo: sentia-se poderoso enquanto os outros acumulavam olheiras debaixo dos olhos, dores nas costas e sinapses cerebrais disfuncionais.


O "normal" sufocou a inovação e a criatividade. A normalidade era tão mas tão normal, que poucos gostavam do que faziam e isso tornava o despertar matinal num suplicio.


O relógio do "normal" parecia que tinha mais horas que resultados, mas vivia-se na ilusão de que assim é que tinha de ser. Por alguma razão suportávamos tudo isso e a tudo isso chamávamos de segurança.


Sem tempo, sem amor, sem vida, ficamos sem saúde, sem dinheiro ou tempo para o gastar, sem amigos, sem casamento, sem filhos e mesmo que os tivéssemos não os víamos, de tão cansados, de tão "normais" que nos tornámos.


No "antigamente", no "velho normal" temiam-se as máquinas porque elas nos faziam concorrência, tal era o automatismo em que vivíamos.


Era também nessa altura que esperávamos que alguém vindo não sei de onde, nos pedisse, ordenasse ou instruísse para que resgatássemos a nossa vida e lhe déssemos sentido.


Fosse o patrão, o pai, a mãe, o padre ou o primeiro-ministro, no velho "normal" desresponsabilizamo-nos por completo do curso da nossa existência e deixamos que a vida seguisse como um comboio descarrilado.


Depois veio o período de reflexão, a que demos o nome de confinamento, e passámos a ter tempo, a ter família ou pelo menos a ter uma vontade imensa de a resgatar. Passamos a escutar os pássaros e a querer acordar de manhã só para os contemplar.


Quisemos passear na Natureza, fazer exercício, arrumar a casa e aprender uma arte nova. Fizemos um inventário existencial e colocámos o essencial como prioritário.


Definimos quem queríamos por perto e a esses dedicamo-nos com afinco e apreço. Sem eles, sem quem nos estendeu a mão na angústia, no medo e na solidão, não estaríamos aqui hoje.


E agora, como é possível voltar ao normal? Como é possível ficar de novo longe de quem nos é próximo e do que nos é vital?


Não é, simplesmente. O "normal" passou a obsoleto por motivos de força maior e isso são óptimas noticias!


É tempo de nos responsabilizarmos pelas nossas vidas profissionais e pessoais, é tempo de sermos líderes, cada um na sua esfera de influência.


É tempo de sermos inteiros nos nossos papeis de pais, filhos, amigos, trabalhadores, cidadãos, guardiões deste planeta e do bem-comum...hoje e amanhã. Chegou o momento de liderarmos pelo exemplo.


E como líderes temos a obrigação de manter os valores de que fomos recordados na ordem do dia e dos prioritizarmos:

  1. A saúde e o bem-estar, sem este factor nada se faz. O mundo parou por isso.

  2. A família e a comunidade. O factor número 1 do bem-estar humano, a nossa força.

  3. A educação. O que nos permite crescer como pessoas e criar soluções para criarmos um mundo melhor.

  4. A sustentabilidade. Social, económica e ambiental. Cada uma destas vertentes é o garante de que temos futuro.

  5. O trabalho com propósito, aquele que não só nos traz felicidade como contribui para o bem comum. Porque se assim não for, terá de ficar lá atrás, junto do "normal".

Se lhe pedirem para voltar ao "normal", recorde-se do essencial e tenha a coragem de ser um agente de mudança. Pesquise boas práticas, novas formas de trabalhar e seja criativo(a): proponha soluções que beneficiem a todos.


Se o "normal" quiser instalar-se de novo, não deixe. O tempo dele expirou.

É tempo de termos presente e futuro. É tempo de ter tempo e de ser humano.

Você é o(a) líder de que estávamos à espera.


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